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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O profissional em psicologia no combate a evasão escolar

O profissional em psicologia no combate a evasão escolar


advogado (1)
1 - INTRODUÇÃO
A evasão escolar no Brasil é um problema antigo, que perdura até hoje. Apesar dessa situação ainda existir no Ensino Fundamental, atualmente, o que chama atenção é o número de alunos que abandonam o Ensino Médio.
Em se tratando desse grande dilema enfrentado pelas instituições escolares perante o problema, uma questão bastante discutida diz respeito aos métodos e metodologias adequadas a minimizar os efeitos da evasão escolar, visando sempre a garantia de oferta da educação para todos e que seja de qualidade.



Nesse contexto de enfrentamento dessas questões, surge a figura do profissional em psicologia como um agente de mudanças no ambiente escolar, sendo uma ferramenta importante para construção de propostas de melhorias nessas questões.
2 – A educação enquanto política pública

            É cada vez mais comum no Brasil, a reivindicação de que as iniciativas governamentais no campo da educação sejam desenvolvidas na perspectiva de políticas públicas de estado e não como programas de governo sem a continuidade e sustentabilidade de ações implementadas. Nesse contexto as políticas públicas devem partir do povo e para o bem, visando assim sua satisfação de necessidades, nesse caso sua educação de forma integral e digna, assim como diz (SAVIANI 2000).
Portanto, a educação integral do homem, a qual deve cobrir todo o período da educação básica que vai do nascimento, com as creches, passa pela educação infantil, o ensino fundamental e se completa com a conclusão do ensino médio por volta do dezessete anos, é uma educação do caráter desinteressado que, além do conhecimento da natureza envolve as formas estéticas, a apreciação das coisas e das pessoas pelo que elas são em si mesmas, sem outro objeto senão o de relacionar-se com elas. (SAVIANI, 2000).
            É preciso que o ensino médio defina sua identidade como a etapa final da educação básica. O trabalho deve ser compreendido não como adaptação à organização produtiva, mas como princípio educativo, onde as dimensões constituintes de sua identidade sejam o trabalho, a ciência, a tecnologia e a cultura.
            Ainda segundo a Lei nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, em seu Título II, dos princípios e fins da educação nacional, diz:
Art. 2º. A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
Sendo assim, a educação é um direito garantido a todos, é a etapa final e principal da educação básica e merece ser de fato encarada com o respeito que merece, dando-lhe o cuidado necessário e combatendo as questões que interfiram em seus resultados, principalmente a evasão escolar. Nesse contexto também surge a necessidade de um profissional no combate a evasão escolar, o psicólogo escolar. 

3 – A evasão escolar e suas causas

Em se tratando de evasão escolar, podemos facilmente observar que a mesma é um problema crônico em todo o Brasil, sendo muitas vezes passivamente assimilada e tolerada por escolas e sistemas de ensino, que chegam ao ponto de admitirem matrículas de um número maior de alunos por turma do que o estabelecido por lei, já contando com a "desistência" de muitos ao longo do ano letivo.
Como resultado, em que pese a propaganda oficial sempre alardear um número expressivo de matrículas a cada início de ano letivo, em alguns casos chegando próximo aos 100% (cem por cento) do total de crianças e adolescentes em idade escolar, de antemão já se sabe que destes, uma significativa parcela não irá concluir seus estudos naquele período, em prejuízo direto à sua formação e, é claro, à sua vida, na medida em que os coloca em posição de desvantagem face os demais que não apresentam defasagem idade-série. Mais segundo (MISSÃO CRIANÇA 2001) em relação as causas da evasão escolar diz:
Estudos têm demonstrado que a evasão escolar pode ocorrer por diversos motivos e dentre eles estão as repetências constantes, a necessidade do trabalho infantil para compor a renda familiar, a pobreza e a falta de comida em casa, a longa distância entre a escola e a casa, a falta de transporte, a falta de uniforme e material escolar, que dificultam a ida à escola todos os dias, além de motivos de ordem mais social, como o abuso sexual, dentro e fora de casa, ou até mesmo na escola; exploração sexual, a violência física ou psicológica com a criança ou entre seus familiares, o abuso físico e/ou psicológico na escola e/ou em casa, a não valorização do ensino por parte dos adultos, o casamento e/ou gravidez precoces, o uso e tráfico de drogas, a falta de segurança na localidade ou próximo à escola, brigas de gangues e dificuldades de acompanhamento dos conteúdos curriculares. (MISSÃO CRIANÇA, 2001).
As conseqüências dessas evasões podem ser sentidas futuramente com mais intensidade nas cadeias públicas, penitenciárias e centros de internação de adolescentes em conflito com a lei, o mercado de trabalho cada vez mais desqualificado perante as constantes mudanças e exigências da atualidade.
Esse problema da evasão preocupa os educadores e responsáveis pelas políticas públicas. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), a evasão no Ensino Médio chega a 10% (3,2 milhões de crianças e jovens, segundo dados de 2005). São mais 2,9 milhões (dados de 2007) que abandonam as aulas num ano e retornam no seguinte, engrossando outro índice preocupante: o da distorção idade e série, que segundo (MENEZES 2002) é definida da seguinte forma:
É a defasagem entre a idade e a série que o aluno deveria estar cursando. Essa distorção é considerada um dos maiores problemas do ensino fundamental brasileiro, agravada pela repetência e o abandono da escola. Muitos especialistas consideram que a distorção idade-série pode ocasionar alto custo psicológico sobre a vida escolar, social e profissional dos alunos defasados.
No contexto apresentado, observamos que há muitos motivos que levam o aluno a deixar de estudar - a necessidade de entrar no mercado de trabalho, a falta de interesse pela escola, dificuldades de aprendizado que podem acontecer no percurso escolar, doenças crônicas, deficiências no transporte escolar, falta de incentivo dos pais, mudanças de endereço e outros. Para serem minimizados, alguns desses problemas dependem de ações do poder público. Outros, contudo, podem ser solucionados com iniciativas tomadas ao longo do ano pelos gestores escolares e suas equipes, que têm a responsabilidade de assegurar as condições de ensino e aprendizagem - o que, obviamente, se perde quando a criança não vai à aula. 
4 – A importância do psicólogo escolar como um agente de mudanças e transformação.

            Já sabemos que as contribuições da Psicologia na educação não se reduzem ao trabalho do psicólogo na instituição escolar, pois sabe-se que os processos que envolvem a educação acontecem em variados níveis, fazendo essa articulação entre psicologia e educação aconteça em vários níveis e formas. No entanto, é indiscutível que, no delineamento atual da sociedade, a escola tem um lugar privilegiado como locus dos principais processos educativos intencionais que, juntamente com outros, integram a educação como prática social.
Em se tratando das diretrizes desse profissional na educação tem sido, já há alguns anos, foco de análise (Martínez, Fariñas, 1993; Martínez, 1996, 2001, 2003a, 2003b, 2005, 2007), pode-se ter uma noção de psicologia escolar como:
Um campo de atuação do psicólogo (e eventualmente de produção científica) caracterizado pela utilização da Psicologia no contexto escolar, com o objetivo de contribuir para otimizar o processo educativo, entendido este como complexo processo de transmissão cultural e de espaço de desenvolvimento da subjetividade (Martinez, 2003b, p. 107).
Nesse contexto, o profissional em psicologia dentro das unidades escolares poderá contribuir para que haja a otimização nesse processo educativo, onde há essa transmissão de contextos culturais e aprimoramento do espaço visando o desenvolvimento das competências e subjetividade do desenvolvimento humano. Inicialmente deve-e entender o ser humano como um ser único, individual, carregado de saberes já constituídos, sendo assim o profissional precisa intervir nessa realidade.
Os caminhos para intervenção do psicólogo escolar devem, portanto, estar ancorados na compreensão de que as relações sociais originam os processos interdependentes de construções e apropriações de significados e sentidos que acontece entre os indivíduos, influenciando, recíproca, e/ou complementarmente, como cada sugeito constitui-se enquanto tal. Para intervir na complexidade intersubjetiva presente nessas relações, o psicólogo deve fazer uma escolha deliberada e consciente por uma atuação preventiva sustentada por teorias psicológicas cujo enfoque privilegie uma visão de homem e sociedade dialeticamente constituídos em suas relações históricas e culturais. (ARAÚJO, 2003, p.66).   
Na conceituação apresentada, pode-se observar que a Psicologia Escolar não está definida em função de um campo estreito de saberes da Psicologia, mas sim a partir da configuração de um campo de atuação profissional que requer a utilização dos múltiplos e diversos saberes organizados em diferentes áreas da Psicologia, sem os quais não é possível contribuir eficazmente para a otimização do processo educativo compreendido na sua complexidade.
Em essência, o profissional em psicologia escolar utiliza seus conhecimentos produzidos sobre o funcionamento psicológico humano para colaborar com os processos de aprendizagem e desenvolvimento que ocupam lugar no contexto escolar, levando-se em consideração a complexa cadeia de elementos e suas dimensões que nos caracterizam e que, de alguma forma, nos determinam.
  Esse profissional considerado como ferramenta importante de transformação e composição da realidade educacional, precisa organizar os parâmetros de estabilidade entre a permanência do aluno na escola e seu aprendizado e as causas da evasão escolar, minimizando seus efeitos.
No entanto, esse profissional necessita de apoio dos integrantes do meio educativo para seu êxito, onde os educadores assumem papel importante no processo. Os professores precisam conscientizar-se de que suas metas educacionais não se resumem na transmissão de conhecimentos e que devem, portanto, atuar no sentido de promover o desenvolvimento dos processos psicológicos, pelos quais o conhecimento é adquirido, ensinando aos alunos a aprender a aprender (POZO, 1996).
Sendo assim, o psicólogo não deve mais ser visto, como alguém que aparece somente para solucionar os problemas da escola e depois vai embora. Nesse contexto ele deve ser encarado com alguém que está sempre tentando, na medida do possível, conscientizar as pessoas para que o ambiente seja saudável, ou seja, mais como uma medida profilática do que como solucionador dos grandes conflitos.
5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS 

O psicólogo escolar enquanto agente transformador da realidade nas unidades escolares no que diz respeito a questão do combate e enfrentamento da evasão escolar de jovens alunos do ensino médio torna-se um instrumento importante e eficaz de acordo com a realidade que enfrentamos.
Esse tipo de profissional atuando em conjunto com os demais profissionais da educação em uma unidade escolar pode ser bastante eficaz no estudo dos fatores que levam os alunos a realizarem sua matriculas no início do ano letivo e logo em seguida abandonarem a escola, seja por fatores particulares ou ainda por fatores relacionados ao funcionamento da própria instituição de ensino. Nesse contexto o profissional em psicologia, estudioso do comportamento humano e sua interação com outros seres pode intervir nessa realidade e de fato contribuir para que esse cenário seja melhorado e esses índices sejam batidos.
A evasão é uma conseqüência de vários fatores, sendo o produto de um processo histórico amplo, que engloba o funcionamento da sociedade brasileira, um fracasso produzido pela própria escola que de certa forma vem expulsando de seu contexto alunos ativos, receptivos, alegres, criativos, participativos e que inconscientemente não assimilam o que os diversos modelos têm proposto.
Sendo assim, busca-se a garantia do direito a educação e permanência constituído a todos por leis e de fato consolidados nas unidades escolares, essa educação para todos e de qualidade precisa de transformações profundas, inicialmente tratada em um dos seus problemas, a evasão escolar.  
REFERENCIAIS
<http://portal.mec.gov.br/index.php - acesso em 18 de abril de 2012.>  - Ministério da Educação.
<http://www.anj.org.br/pje/noticias/pesquisa-da-fgv-mostra-causas-da-evasao-escolar-no-pais/  -  Acesso em 16 de Abril de 2012. >
<http://www.rbep.inep.gov.br/index.php/emaberto/article/viewFile/1634/1298 -  Acesso em 20 de Abril de 2012. >
ARAÚJO, C. M. M. Psicologia Escolar e o Desenvolvimento de Competências: uma opção para a capacitação continuada. 2003. 395 f. Tese (Doutorado em Psicologia). Instituto de Psicologia, Universidade de Brasília, Brasília.
GUZZO, R. L.; ALMEIDA, L.; desafios teórico-práticos. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2002. Cap. 2, p. 35-71. Educação. Brasília, 2001.
Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB. 1996.
MARTINEZ, A. M.; FARIÑAS, G. Contribuciones de la Psicologia Escolar em Cuba: su rol en el desarrollo de la personalidad. In: GUZZO, R. L.; ALMEIDA, L.; WESCHLER, S. M. (Org.). Psicologia Escolar: padrões e práticas em países delíngua espanhola e portuguesa. Campinas: Átomo, 1993.
MENEZES, Ebenezer Takuno de; SANTOS, Thais Helena dos."Distorção idade-série" (verbete). Dicionário Interativo da Educação Brasileira - EducaBrasil. São Paulo: Midiamix Editora, 2002, http://www.educabrasil. com.br/eb/dic/dicionario.asp ?id=171, visitado em 23/4/2012.
MISSÃO CRIANÇA. Relatório de atividades.1999-2001. Mania de profissional. Campinas: Alínea, 2003. Cap. 7, p. 135-145.
POZO, J.  Estratégias de Aprendizagem. Em C. Coll, J. Palácios & A. Marchesi       (Orgs), Desenvolvimento psicológico e educação: Psicologia da educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.
SAVIANI, Dermeval. Escola e Democracia: teorias da educação, curvatura da vara, onze teses sobre educação e política. 33.ª ed. revisada. Campinas: Autores Associados, 2000.




















































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